Todo Repúdio à revista Veja. Viva a luta do movimento LGTTB! quarta-feira, maio 12, 2010


"Chupado" do blog Fazendo Média

A revista Veja publicou nessa semana a seguinte matéria: “Ser jovem e gay. A vida sem dramas.” A reportagem – por meio de depoimentos de jovens de classe média e classe média alta – aponta que os jovens gays têm assumido a homossexualidade sem qualquer razão para temer ou esconder. A revista ainda mostra que ser militante da causa é quase ultrapassado e que a luta é desnecessária. O que a matéria não registrou, ficou na marginalidade da informação: homofobia existe.

O estranho é que não há um negro ou uma negra na matéria. Ou então jovens pobres. E as travestis? Por que elas não conseguem emprego? Imaginem só uma mulher afirmar que é negra e lésbica. Demais para os leitores de Veja? De acordo com dados do Grupo Gay da Bahia (GGB), o Brasil é o campeão mundial de crimes contra lésbicas, gays, travestis, transexuais e bissexuais (LGTTB’s): um assassinato a cada dois dias, aproximadamente 200 crimes por ano, seguido do México com 35 homicídios e os Estados Unidos com 25.

Não precisamos apenas de dados para constatar a homofobia. Quantas piadas, xingamentos e brincadeirinhas estão carregadas de preconceito? Basta ligar a televisão que podemos assistir um general das Forças Armadas (mesmo exemplo dado pela revista) afirmando sua posição contrária à presença de gays na instituição. Pior ainda, que País é este que respalda Marcelo Dourado como campeão do Big Brother Brasil e queridinho da população brasileira? Isso porque Dourado, além de comentários e atitudes machistas e homofóbicas, afirmou que heterossexuais não pegam Aids. Fato que fez com que a Globo utilizasse o mesmo espaço para esclarecimentos do Ministério da Saúde.

Se tudo está mais tranquilo, livre de preconceito e agressões, por que o Brasil não aprova a Lei 122/06 que criminaliza a homofobia? Esse preconceito velado é uma das piores tendências e a revista Veja, inegavelmente nojenta, tenta convencer a população que militar no movimento LGTTB é ultrapassado, ‘over’. Ninguém esconde orientação sexual embaixo de bandeiras. Ao contrário, militamos por uma sociedade justa e livre de preconceitos. Desqualificar a luta do movimento LGTTB é, no mínimo, ignorância. Foi por meio da luta do movimento que a homossexualidade deixou de ser considerada doença e perversão e, até hoje, é referência histórica na contra a homofobia.

Se não há preconceito, por que pessoas do mesmo sexo não andam sequer de mãos dadas em público? Por que travestis sofrem violência física e moral todos os dias? Por que as travestis não conseguem emprego ou o simples direito de mudar de nome? Por que as mulheres lésbicas sofrem com a falta de um atendimento específico nos hospitais e postos de saúde – elas mal são tocadas, principalmente as negras, além de sofrerem com péssima orientação médica? Por que homens gays são massacrados em instituições, seja exército ou universidade? Por que casais gays não podem se casar ou adotar filhos? Eu mesma, só conheci uma travesti com um emprego que não fosse profissional do sexo. Ela era operadora de telemarketing… Mais uma vez, escondida.

A luta contra a homofobia não deve parar e cada um de nós deve lutar por um mundo melhor livre de opressões. Todo REPÚDIO à revista Veja. Viva a luta do movimento LGTTB!

(*) Camila Marins é jornalista e poeta.

3 comentários:

endim mawess disse...

vamos levar em conta a magnitude do veiculo de comunicação e os beneficios, nem tudo é perfeito. agora que veja e profissão reporte fizeram materias todos vão ter que copiar.

Ludmila disse...

Desculpa, mas o jornalismo de esgoto que a Veja faz não merece o meu respeito =)

NASTY JOE disse...

Primeiro, queria concordar com a Ludmilla. A Veja é o lixo do mundo e, com essas falsas afirmações de que hoje tudo é aberto, sem dramas, esconde-se uma atitude de mostrar às pessoas mais ingênuas, principalmente aos jovens que estão chegando, que não há tanto motivo para brigar e reclamar. Mas é mentira. Eu, com 54 anos de janela, por assim dizer, acho que a "era da informação" jogou-nos um para cada lado e eu sinto necessidade até de militar, brigar pelo casamento em cartório, não pela necessidade de casar, mas peloa igualdade de direitos em tudo. Os héteros podem casar, então porque nós não? Isso também traz uma boa auto-estima, uma noçao de que, no fundo, os meios de comunição pensam por nós. Mostra que não estamos felizes como quer a Veja e queremos leis para sabermos que não precisamos pedir "por favor" ou "obrigado por me aceitar assim como somos".